FILIPE QUARESMA portuguese music for solo cello
© Adam Walanus
MIGUEL AZGUIME | 1960, Lisbon, Portugal Distinguished for his work’s originality and diversity, Miguel Azguime’s musical world reflects an approach that relies on his multifaceted capabilities as composer, performer and poet. Together with Paula Azguime he founded the Miso Ensemble in 1985, a duo recognized by the public and by the critics alike as one of the most important Portuguese contemporary performing groups. Miguel Azguime’s music relies on aesthetic innovation and freedom, revealing an intensively emotive mix of acoustic instrumental writing and electronics, where his approach is one of the most innovative. The energy and rhythm in his works give life to inventive melodic phrases in which “melismas” play an essential role. As composer, poet and performer, Miguel Azguime relentlessly challenges the boundaries between music, text and drama, hence shaping new grounds in contemporary music and redefining music theatre and opera within the concept of New Op-Era. Miguel Azguime handles words and music with a combination of genius and lightness, cleverly opposing the reputation of austerity not rarely associated with contemporary music. Both lyrical and engaging, his polymorphic works amaze and attract both contemporary music lovers and the ones new to it. Miguel Azguime’s music has been performed all around the globe by renowned soloists, ensembles and conductors, being regularly presented at major international contemporary music festivals. Besides his creative work, he his actively engaged in promoting Portuguese New Music, as artistic director of numerous projects, namely Miso Music Portugal, Música Viva Festival, Miso Records, the Portuguese Music Research & Information Centre, ..., and also as researcher. In 2006 Miguel Azguime was DAAD composer-in-residence in Berlin and this context allowed him to create and produce his multimedia opera Salt Itinerary, for which he was awarded, in 2008, at the UNESCO's Music Theatre Now Competition. His more recent opera A Laugh to Cry, where he continues to explore his interest in speech as music, music as speech, was commissioned and premiered in September 2013 at the Warsaw Autumn International Festival of Contemporary Music. www.azguime.net www.mic.pt
MIGUEL AZGUIME | 1960, Lisboa, Portugal Compositor, poeta, performer, Miguel Azguime nasceu em Lisboa em 1960. Em 1985, fundou com Paula Azguime o Miso Ensemble, projecto de autor singular, largamente reconhecido pelo público e pela crítica, com um percurso de mais de 600 concertos realizados por todo o mundo. Miguel Azguime obteve vários prémios de composição e de interpretação e o seu catálogo compreende mais de 100 obras para as mais diversas formações, instrumentais e/ou vocais, com e sem electrónica, e ainda música para teatro, dança e cinema. Tem recebido encomendas de inúmeras instituições públicas e privadas, nacionais e estrangeiras e a sua música tem presença regular nalguns dos mais importantes festivais internacionais de música contemporânea, de Portugal ao Japão, pela mão de prestigiados maestros, solistas e agrupamentos. Miguel Azguime foi compositor residente em numerosos estúdios de criação internacionais e em 2006 foi compositor residente da DAAD em Berlim, passando desde então a trabalhar e a viver em Lisboa e em Berlim. Recentemente obteve com a sua Nova Op-Era “Itinerário do Sal”, o prémio Music Theatre NOW do Instituto Internacional de Teatro da UNESCO e o Prémio Nacional Multimédia. À sua intensa actividade como compositor, poeta e performer, vem juntar-se uma constante dedicação na divulgação e fomento das novas linguagens musicais e das relações da música com a tecnologia. Neste sentido tem multiplicado as acções, destacando-se a fundação da Miso Music Portugal (centro de criação e produção musical) e a fundação do Centro de Investigação & informação da Música Portuguesa. www.azguime.net www.mic.pt
CD / 2014 SPA FQ - 1 - 2014
Miguel Azguime_MOMENT À L’EXTRÊMEMENT... for cello & live electronics (2006) The composition of this piece, like all my music, is based on listening and spectral understanding of the sound phenomena, taking into account the acoustic properties of the musical instrument, which is the subject of research, leading to the abstract speculation on the compositional process. The piece is based on a defective spectrum on C (one octave below the C on the cello), in which only 11 partials (from the fundamental up to the 29th harmonic) are taken into consideration. From this defective spectrum I realized 8 micro-intervallic frequency shifts, resulting in a total of 9 sound aggregates. These aggregates have a slightly different intervallic structure between them, yet this small difference is of great importance - in terms of acoustics and perception it changes considerably the harmonicity / inharmonicity of the aggregates, what actually means being more consonant or less consonant in terms of perception. Each of these sound aggregates corresponds to a section of the piece. Although the sections succeed without interruption, some interludes and transitions are introduced here and there between them. There are also few sections, where some of the material presented earlier is reintroduced from a new perspective. Within each section, every aggregate is the subject of successive transpositions, yet retaining the same intervallic structure and also conforming to the base harmonic spectrum. These transpositions give origin to numerous melodic figurations, often in accelerando and appearing throughout the piece. The electronics operates primarily as a shadow or double of the acoustic instrument, blending with it, and extending its identity. Occasionally, it can also act as a counterpoint. Miguel Azguime, July 29 2014 A composição desta peça, como em toda a minha música, assenta numa escuta e entendimento espectral do fenómeno sonoro, e tem em conta propriedades acústicas do instrumento musical, que é o objecto de investigação que conduz todavia à especulação abstracta da criação composicional. A peça baseia-se num espectro defectivo sobre Dó (uma oitava abaixo do dó do violoncelo), um espectro no qual apenas 11 parciais (desde a fundamental até 29º harmónico) são tidos em consideração. Sobre este espectro defectivo realizei 8 derivas microintervalares de frequência, o que resulta num total de 9 agregados harmónico-tímbricos. Estes agregados têm uma estrutura intervalar ligeiramente diferente entre eles, mas essa pequena diferença intervalar é, do ponto de vista acústico e perceptivo, de grande relevância, fazendo variar de forma substancial a harmonicidade/inharmonicidade dos agregados, o que em termos perceptivos significa a sua maior ou menor consonância. A cada um destes agregados corresponde uma secção da peça, sendo que as várias secções se sucedem sem interrupção, existindo adicionalmente nalguns casos interlúdios ou transições entre secções, noutros recorrência de material apresentado anteriormente mas sob uma nova perspectiva. No interior de cada secção, cada um destes agregados é sujeito a sucessivas transposições, que todavia mantêm a estrutura intervalar dos mesmos e que se conformam com o espectro harmónico de base. Estas transposições originam numerosas figurações melódicas, quase sempre em acelerando que percorrem toda a peça. A electrónica opera fundamentalmente como uma sombra ou duplo do instrumento acústico, fundindo-se no timbre do mesmo, extrapolando a sua identidade. Ocasionalmente actua em contraponto. Miguel Azguime, 29 de Julho de 2014