FILIPE QUARESMA portuguese music for solo cello CD / 2014 SPA FQ - 1 - 2014
Alexandre Delgado_ANTAGONIA (1990) 1st phonographic release / 1ª edição fonográfico
ALEXANDRE DELGADO | (1965-) Alexandre Delgado was born in Lisbon in 1965, where he began his musical studies at the Foundation 'dos Amigos das Crianças'. He studied composition with Joly Braga Santos and with Jacques Charpentier, graduating with distinction at the Nice Conservatory in 1990. Receiving comissions as a composer from several international festivals, his output includes specially chamber music (String Quartet, Burlesca, Langará, The Panic Flirt, Canteto), concertos (flute and orchestra, viola and orchestra), vocal music (Poem of God and the Devil, Santo Asinha, Ciclo Quinhentista premiered by soprano Maria Bayo) and opera. His chamber opera Death and the Madman (1993) was premiered at the São Carlos National Theater and at the Theater Am Halleschen Ufer in Berlin, under his direction; in July 2011 he conducted in Lisbon the premiere of his second opera, A Rainha Louca (The Mad Queen). As a viola player, he won the Portuguese Young Musicians Award in 1987 and premiered his Viola Concerto in Portugal, Spain and Holland. He is a member of the Moscow Piano Quartet since 2005 and often invited as a soloist, conducter, libretti translator and concert commentator. Artistic director of the Alcobaça Music Festival since 2002, his program A Propósito da Música was broadcasted weekly on the national radio Antena 2 from 1996 to 2013. His books include The Symphony in Portugal, A Culpa é do Maestro (musical reviews 1990-2000) and editor of Luís de Freitas Branco, the first full study of this Portuguese modernist composer. ALEXANDRE DELGADO | (1965-) Compositor e violetista, nasceu em Lisboa em 1965. Estudou na FMAC e diplomou-se em violino e composição no Conservatório Nacional em 1983 (como aluno externo). Aluno particular de Joly Braga Santos, o seu Prelúdio para cordas foi estreado pela Orquestra Sinfónica da RDP em 1982. Prosseguiu os seus estudos com Jacques Charpentier em França (como bolseiro da SEC), diplomando-se com o 1.º Prémio de Composição do Conservatório de Nice em 1990. A sua obra Antagonia foi selecionada para os World Music Days na Cidade do México em 1993 e o seu Quarteto de Cordas foi gravado em CD pelo Quarteto Arditti. Langará para clarinete solo (1992) tornou-se peça de reportório a nível internacional, com múltiplas gravações em CD. Com encomendas regulares de Portugal e do estrangeiro, a sua abundante produção instrumental e vocal inclui a ópera de câmara O Doido e a Morte, cuja estreia dirigiu no São Carlos em 1994 e em Berlim em 1996 e cuja 6.ª produção dirigiu no Teatro de Almada em maio de 2014. A sua ópera A Rainha Louca foi estreada e gravada em CD sob sua direção, no CCB, em 2011. Entre obras mais recentes destacam-se o ciclo Cinco Sonetos Quinhentistas (estreado pelo soprano Maria Bayo no festival Terras sem Sombra), Tríptico Camoniano (para soprano e trio com piano) e Verdiana para orquestra (encomenda do CCB para a comemoração do centenário de Verdi). Aluno em violeta de Barbara Friedhoff, foi vencedor do Prémio Jovens Músicos em 1987 e membro da Orquestra Juvenil da União Europeia (onde tocou sob a direção de Claudio Abbado e Zubin Mehta) e da Orquestra Gulbenkian. Gravou a Sonatina de Armando José Fernandes em CD (com o pianista Bruno Belthoise) e estreou o seu Concerto para Violeta e Orquestra como solista em Portugal, Espanha e Holanda. Crítico musical do Público entre 1992 e 2002, é autor dos livros A Sinfonia em Portugal, A Culpa é do Maestro (crítica musical) e Luís de Freitas Branco (Editorial Caminho). Autor de aclamadas versões portuguesas de óperas para a Fundação Gulbenkian e o TNSC (Hänsel und Gretel, Die Zauberflöte, The Little Sweep, La bela dormente nel bosco), assinou o programa radiofónico A Propósito da Música na Antena 2 entre 1996 e 2013. Diretor artístico do Festival de Música de Alcobaça desde 2002, integra desde 2005 o Quarteto com Piano de Moscovo, com o qual fez em 2012 a 1.ª gravação mundial do Quarteto com Piano de Anton Rubinstein. Maestro da Orquestra Juvenil da FMAC desde 2013, prossegue a sua carreira de free-lancer como compositor, instrumentista, maestro, tradutor de óperas e comentador de concertos.
In Antagonia, for solo cello, the first and second strings are tuned half a tone lower (A and D flat). This tuning divides the instrument in two contrasting fields: two perfect fifths separated by an augmented fourth that makes them “antagonistic”. This antagonism is transposed to every aspect of musical construction: there is one force trying to ascend and another one pushing down (or vice-versa), rhythmical characters opposing each other in expansions and contractions, and dynamic progressions in different directions. The work is divided into six parts: prologue (pesante), four variations (fuido, presto, allegretto, lento) and epilogue. In the introduction there is no theme but a structure that is transformed in tempi, textures and sonorities peculiar to each variation. In the epilogue there is a deformed condensation of all the previous sections: it is the non-resolution of an untransposable conflict. Its anguish is intensified by the dissonances of the scordatura, wich “repress” the natural tone of the cello. Written in Almoçageme in March 1990, it was first performed in Barcelona three months later, in a concert in memory of Jean Etienne Marie. It was recorded by the Czech and the Portuguese Broadcasting Companies, and selected by the jury of the International Society for Contemporary Music for the World Music Days that took place in Mexico City, in November 1993. It is dedicated to the Portuguese cellist Irene Lima. Alexandre Delgado Em Antagonia, para violoncelo solo, as cordas lá e ré estão afinadas meio-tom abaixo do normal (lá bemol e ré bemol). Isso divide o instrumento em dois campos opostos: duas quintas perfeitas separadas por uma quinta diminuta que as torna “antagónicas”. Esse antagonismo é transposto para cada aspeto da construção musical: há uma força que tenta subir e outra que arrasta para o grave (vice-versa); personagens rítmicos que se contrapõem em expansões e contrações; progressões dinâmicas de sentido contrário. A obra divide-se em seis partes: prólogo (pesante), quatro variações (fluido, presto, allegretto, lento) e epílogo. Na introdução não há um tema, mas sim uma estrutura que é metamorfoseada em tempos, texturas e timbres próprios de cada ponto de retorno de um conflito intransponível, cuja angústia é intensificada pelas dissonâncias da scordatura – que “recalcam” a sonoridade natural do violoncelo. Escrita em Almiçageme em Março de 1990, foi estreada na Barcelona três meses depois, num concerto em memória de Jean Etienne Marie. Foi gravada pela Rádio Nacional Checa e pela Antena 2 da Radiodifusão Portuguesa, e selecionada pelo júri da Sociedade Internacional de Música Contemporanea para os Dias Mundiais da Música que decorreram na Cidade do México, em Novembro de 1993. É dedicada a Irene Lima. Alexandre Delgado